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Vista Alegre ganha nova vida com renovação do património e modernização das fábricas

08 out 2019
Vista Alegre ganha nova vida com renovação do património e modernização das fábricas
Sociedade

Passo a passo, o lugar da Fábrica da Vista Alegre, em Ílhavo, regressa ao esplendor de outros tempos. Parte significativa do seu património já foi recuperada, como é o caso do museu, do teatro, de parte das casas do bairro operário, da capela, da creche e do hotel Montebelo - que ocupa o palácio e um novo edifício. Mas o novo fulgor daquele espaço é também visível nas suas fábricas, que têm sido alvo de um conjunto de investimentos de modernização nos últimos anos pela mão do grupo Visabeira.
 

Integrada, desde 2009, no portefólio de marcas do grupo Visabeira - após a oferta pública lançada com sucesso sobre as ações representativas do capital social da empresa -, a Vista Alegre soma perto de 200 anos de história.
 

É a marca de porcelanas mais antiga da Península Ibérica, tendo sido fundada por José Ferreira Pinto Basto, descrito como “uma figura de destaque na sociedade portuguesa do século XIX, proprietário agrícola, ousado comerciante, tendo-se tornado ou o primeiro exemplo de iniciativa livre em Portugal”. 


Investimento atinge os 50 milhões de euros 

“A recuperação do património e da componente industrial da Vista Alegre não seria possível sem um forte investimento, que, no total, foi de 50 milhões de euros”, diz ao idealista/news, Paulo Pires, administrador da Vista Alegre.  

Uma fatia de 17,4 milhões de euros foi canalizada através dos projetos de apoio e de investimento europeu, sobretudo o projeto InvestEU, uma iniciativa lançada pela Comissão Europeia, em março de 2017. 

O investimento aplicado na Vista Alegre permitiu - para além de preservar a vasta herança histórica da marca -, “assegurar ainda a manutenção dos 1495 postos de trabalho e a criação, até, ao momento, de 100 novos empregos diretos”, frisa o responsável. 

O percurso da Vista Alegre – atualmente um ponto de atração turístico - é também uma lição do ponto de vista social, pela forma como, ao longo das várias gerações, se privilegiaram as relações com os trabalhadores e os seus familiares, criando uma aldeia onde existiam os alojamentos, mas também a creche, a mercearia, a capela, as instalações desportivas ou o teatro. 


Acordo de comodato permitiu recuperar parte do património 

Na opinião do presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Fernando Caçoilo, o acordo de comodato - celebrado entre a autarquia, o Estado (através da Secretária Regional da Cultura) e a Vista Alegre -, viabilizou a recuperação do património. "Este protocolo de colaboração permitiu uma repartição de custos, e o acesso aos fundos comunitários para recuperar o património que se encontrava muito degradado”, destaca o autarca. 

A Câmara de Ílhavo investiu na reabilitação do museu e do teatro, dois equipamentos que estão atualmente em funcionamento, enquanto a Secretaria Regional da Cultura assegurou a recuperação da belíssima capela, um monumento que é património classificado. 

Fernando Caçoilo não tem dúvidas da importância do financiamento da União Europeia para a requalificação do lugar da Vista Alegre, que, recorde-se, ganhou o ano passado o prémio Escolha do Público do galardão europeu RegioStars, atribuído por Bruxelas. 

Mas o projeto passou por alguns percalços na fase de aprovação. “Foi doloroso conseguir o visto do Tribunal de Contas. Foram meses e meses a negociar para conseguir a aprovação”, diz.  

A obra de requalificação e ampliação do Museu da Vista Alegre representou um investimento superior a 2,5 milhões de euros, financiado em 85% pelos Fundos Comunitários, através do Programa Operacional da Região Centro. O processo foi iniciado em 2014 e a inauguração aconteceu em maio de 2016. 


Capacidade hoteleira vai duplicar 

Atualmente a Vista Alegre tem em fase de reabilitação a restante parte do seu património, com o objetivo de duplicar a oferta hoteleira para 178 quartos. Para isso vai ampliar o hotel Montebelo Vista Alegre Ílhavo Hotel, num investimento total de 13,2 milhões de euros, com data de conclusão em setembro de 2020.  

Desta forma, a Vista Alegre pretende aumentar a capacidade atual, “que é já uma referência nacional e internacional, e que nasceu da vontade de potenciar e promover o valor do património da Vista Alegre e de toda a sua envolvente industrial, social, cultural, tecnológica, artística e humana”, acrescenta o administrador da empresa, Paulo Pires.

A unidade Montebelo, que abriu em finais de 2015, com classificação de cinco estrelas, conta atualmente com 72 quartos no edifício novo, 10 no Palácio Vista Alegre, e 13 no Palácio dos Pintores, incluindo também um conjunto de salas multiusos para reuniões e eventos com capacidade de mais de mil pessoas. 

Está também equipado com um restaurante e bar, o ginásio, piscinas e spa, o que permite aos clientes conjugar a estadia com um conjunto de atividades que podem ser desenvolvidas a nível local, em especial as que estão relacionadas com a pintura e a cerâmica. 
 

Casas do bairro operário em processo de reabilitação

“Já foram recuperadas 13 unidades de alojamento, as quais já se encontram em fase de ocupação. Temos mais 67 em fase de execução”, destaca o gestor sobre as chamadas casas do bairro operário.

Paulo Pires acrescenta que “passear pelo bairro operário é fazer uma viagem ao século XIX, ao ano de 1824, data em que este aglomerado de edifícios foi construído com o objetivo de alojar os operários fabris, que conjugado com o corpo de bombeiros, creche, posto de saúde, teatro, capela e campo de jogos, constitui o Lugar da Vista Alegre. É este o espírito que queremos recordar e manter para as gerações presentes e futuras”. 

O empreendimento, frisa, “visa o segmento familiar como mercado alvo e promover uma experiência cultural única”. 

Paulo Pires refere, ainda, que este “é um projeto com uma componente de inovação produtiva, com uma forte vertente turística, uma vez que pretende promover o turismo sociocultural de espaço fabril, assente na história e evolução da cerâmica em Portugal, em que o turista poderá usufruir não só das valências do hotel como de toda a sua envolvente – bairro operário, fábrica, museu, teatro”. 


in Idealista/News

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